sexta-feira, 29 de abril de 2011

Era um fim de semana como todos os outros.

Miguel acordara mais cedo do que de costume. Tomou seu café e comeu pão fresco como sempre.  Sentava - se no sofá durante horas olhando para o céu como sempre. Acendia seu cigarro quando estava nervoso e sentava de frente para a tela vazia como sempre. Durante toda manhã esteve parado, olhando o vazio, cigarro atrás de outro cigarro. Tirava o pincel de sua caixa e quando iria molha - lo, recolocava na caixa como sempre.
Maria Eduarda acordava no fim da manhã todos os dias, iria comprar os pães e fazer o café como todos os dias, mas surpreendeu - se com a atitude de Miguel.
Sentava - se no sofá e observava cada ação de Miguel como todos os dias, lia o jornal atentamente como todos os dias:
- Miguel, está com algum problema? - perguntava Maria Eduarda preocupada.
- Não... - respondera Miguel friamente.
Maria Eduarda preferiu não discutir como todos os dias, queria manter a relação estável:
- Sabe que dia é hoje? - perguntou Maria Eduarda esperançosa.
- Sábado, meu amor, está no jornal. - respondera Miguel friamente.
Maria Eduarda se levantou irritada jogando a tela violentamente contra a parede e parando diante de Miguel que a olhava em transe:
- Olha pra mim! Diz que você sabe... - gritava Maria Eduarda.
- Você está brigando comigo? Só por que é sábado? - perguntou indignado a ela.
Maria Eduarda deu - lhe as costas enxugando as lágrimas e correu para seu quarto. Desabou sobre a cama e chorava descontroladamente como nenhum dia ja visto. E quando a decepção se esvaia, o sono da solidão a invadira. Adormecera; com uma ultima lágrima parada em seus olho.
Miguel levantou sorrindo e recolocou sua tela diante dele. Abriu sua caixa de pinceis e tintas. Pintara com afeto, suas mãos guiava o pincel como uma melodia, um sorriso carinhoso estampado e lágrimas dolorosas desciam de seu rosto rigido. Cada traço era desenhado com cada fio de seu coração. Miguel pintara sorrindo e chorando a tarde inteira como nenhum dia visto...
A noite caiu e Maria Eduarda se levantava lentamente, sem animo como nunca visto. Fora para a sala novamente e lá estava Miguel de frente para aquela maldita tela invadido pela penumbra da noite. Sentou - se no sofá, prendeu os cabelos em um coque e pousou as mãos sobre o colo apreensiva:
- Você está com algum problema? - perguntara Miguel gentil.
- Não. - rebateu Maria Eduarda friamente.
- Sabe que dia é hoje? - perguntou Miguel seriamente.
Maria Eduarda não conseguiu conter suas lágrimas abaixando a cabeça: - Hoje é nosso aniversário de casamento e você não lembrou. Na verdade você não lembra de mais nada, nem mesmo dos nossos sonhos quando construimos juntos a anos atrás. Estou cansada... 
- Mas você me ama? 
- Amo... mas tudo mudou. Prometemos que o casamento não atrapalharia e seguimos a mesma tradição, os sonhos se perderam, nosso amor também pode se apagar como essa maldita tela em branco!
- Acenda esta luz Mama... - ordenou Miguel.
Maria Eduarda indignou - se com a resposta e se levantou brsucamente quase danificando o interruptor:
- Pronto! Aqui está sua lu... 
Maria Eduarda estava intacta como uma estátua.  Miguel enxugava suas lágrimas e jogara finalmente o pincel na caixa exausto.
A sala estava invadida por várias figuras de Maria Eduarda, quando era um simples bebê, uma simples menina, uma linda adolescente e uma maravilhosa mulher. Todas de várias cores e tipos, tinham seus tempos diferentes, mas o que era comum em todas as pinturas era seu sorriso. Traços delicados de alguém que sempre amou a si mesma:
- Eu fiquei durante tantos dias diante desta tela sem saber o que pintar. A cada dia me matava, a cada dia minha alma se esvaia como todos os dias. E a minha morte acabou afetando você e nosso amor, até a tarde eu não sabia se te amava e muito menos se me amava, mas em um ato de desespero você me acordou. E percebi que minha inspiração maior estava todos os dias ao meu lado. A maior inspiração da minha vida é amar você, isto... - disse Miguel apontando a todos os quadros - É um gesto singelo de dedicar meu amor por você. E ... - iria responder, mas Maria Eduarda o beijou como nunca tinha o beijado:
- Não diga mais nada, deixe os corações daqueles que amam responder... Eu te amo Miguel. - disse Maria Eduarda o abraçando.
- Eu te amo Maria Eduarda. - respondeu Miguel tocando - lhes os lábios delicados e frágeis.

O decorrer da história não me convém narrar, mas não irei dizer que viveram felizes para sempre, mas posso dizer que vão se amar como todos os dias.




Dedicado à minha inspiração maior...

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