sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sonhos definem quem é você...

O menino balançava para trás e para frente ansioso para o espetáculo.
Havia tantos adultos em sua volta que se sentia como um...


- Vamos todos arrasar está noite!!! - dizia Paulo gritando enquanto andava até as cochias com o elenco. 
-  Merda pra ti Paulo...- disse o homem dando tapinhas no ombro de Paulo e ajeitando seu óculos.
- Obrigado Arnaldo...
- Se apresente como se...
- A minha apresentação fosse sempre a ultima da minha vida. - disse sorrindo e lhe deu as costas correndo por ouvir soar o primeiro sinal.
Ao ouvir o primeiro sinal os pequenos olhos focaram para o palco escuro e vazio.
Seu coração acelerou quando ouviu o segundo... E pulou da cadeira quando ouviu o terceiro... e sorriu ao ver o palhaço sorridente entrar. O sorriso franco lhe cativou e sua atenção estava totalmente voltada a ele, momentos depois vários palhaços sérios entraram em cena. O palhaço sorridente sentou na boca de cena e começara a tocar seu violino suavemente. Cada corda tocada o fazia estremecer e arrepiar.
E assim fora durante o espetáculo... ficava sério ao ver palhaços discutindo sobre politica. Entristecia ao ver outros na miséria, mas sorria com o único palhaço sorridente que sustentava sua alegria e tocava para os outros. 
Mas a cena que nunca iria se esquecer seria o final do espetáculo... O palhaço sorridente depois de ter se cansado de tanto ajudar e nada mudar em sua volta dirigiu - se a boca de cena e chorou... Chorava entre soluços entristecido. A tristeza invadiu o peito do menino que o fez chorar e entrar em desespero. Os olhos do palhaço se encontraram com os do menino, o sorriso de lado brotou e a rosa em sua mão foi jogada para o menino.
Sorrindo, o menino encostou seu nariz na flor, que cheirava a morte... Voltou a olhar o palco e virá seu pai desabar ao chão... Seu coração estava vazio ao ver que as cortinas se fecharam...


As lágrimas ainda molhavam aquela rosa velha que Fernando sempre guardava dentro de uma caixinha.
- Adeus meu filho... que Deus abençoe seu caminho. - dizia a mulher com um sorriso triste ao ver o filho dentro do ônibus com destino a São Paulo.
- Adeus mãe... um dia vou cumprir minha promessa. - dizia o garoto acenando a mulher.
As rodas giraram e Fernando sentia que estava cada vez mais distante de seu passado e mais perto de seus sonhos...
Mergulhado em seus sonhos acordado, sua viagem do interior ao centro de São Paulo fora até rápida para o que se era esperado.Com as mochilas nas costas caminhou até o ponto de taxi e perguntou a um velho qual o nome daquela rodoviária. 
- Tietê, rapaz... - respondeu com a feição confusa ao menino. - Você tem certeza que queria estar aqui?
O menino olhou para os lados com um sorriso cativante e voltou a olhar o velho - Sim... tudo isso é lindo, não acha? - perguntou animado. Preferiu não ouvir a resposta do velho "carrancudo" e andou durante horas pelas ruas da meia noite de São Paulo. As luzes dos prédios, e postes acompanhavam o cintilar das estrelas. Uma cidade que nunca dormia, mas a ele acalmava o coração angustiado; que a qualquer momento poderia encontrar a solução de seus problemas e naquele instante precisava de um... hotel.
Após horas andando e analisando a cidade, ele se deu conta do cansaço e se hospedou em um hotel barato. Onde havia apenas o quarto e o banheiro, a cama lhe parecia muito antiga, toda sua forma era feita com pequenas barras de metal enferrujado. O colchonete era velho e quando se sentava sentia a frieza dos metais que rangiam alto. Fernando passou as mãos sobre os cabelos desanimado e se levantou para tomar um banho. Obviamente a aguá não era aquecida, mas estava acostumado a não obter este luxo. 
Repousando a cabeça no travesseiro e contemplando o teto durantes alguns minutos, Fernando sorriu. - Amanhã será um grande dia pai... - sussurrou olhando a rosa e virou - se fechando a caixinha e adormeceu com a rosa pousada em uma de suas mãos.

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